quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sei não, tá tudo assim tão...sei lá!

Não sei vcs, mas eu ando sempre pisando em ovos. Confesso que perdi um pouco da alegria de falar (acreditem, isso que eu falo já tem desconto!), de conversar, ando me policiando, fico pé atrás com as pessoas que não conheço bem e, até as que conheço, prá ser sincera, às vezes dou uma testadinha antes de abrir a boca e por essa santa língua prá tagarelar.
Chego ao final das conversas exausta, como se tivesse toureado. Olha que encarei as campanhas do Lula1 e Lula2, sem esmorecer! Tinha momentos que me parecia estar no meio de um enxame de abelhas coberta de mel, mas eu aguentei. Suportei estoicamente o Lula3, sendo que no Lula 4, ainda tive que lutar renhidamente nas redes sociais. Ainda estou de luto, mas de pé.  Mas, eis que novembro chega e com ele o dia 20, o feriado que traz uma chusma de especialistas em escravidão e que se tornam, especialmente neste dia, os cobradores de uma eterna dívida que nós, os "brancos"(quá, quá, quá) temos com os negros.
A começar pelo antipático e mal bolado nome do tal feriado "Dia da Consciência Negra", o que leva a uma série de piadinhas que um pouquinho de imaginação cria em dois segundos. Além da questão que não quer calar: é para o negro ter consciência que é negro? para o branco (quá, quá, quá) ter consciência do que é ser negro?
Os estudos sobre a escravidão foram mais divulgados a partir do seu centenário, em 1988, com inúmeras pesquisas, valiosíssimas, que deram origens a livros maravilhosos, tanto de autores brasileiros quanto estrangeiros. Os documentos encontrados desvendaram relações escravistas diversas, tanto na zona rural quanto na cidade. É um tema fascinante, jamais tive vontade de escrever sobre outro, por isso produzi monografia, dissertação e tese sobre a escravidão urbana.
Por isso, a frase lá de cima, com a qual comecei esta postagem: estamos sendo vítimas de uma patrulha da palavra, que vê um cunho racista em tudo que é dito, escrito ou feito: o "e aí, minha preta?"; " cara, depois neguinho vai dizer que eu não expliquei a matéria." E por aí vamos, de absurdo em absurdo, todos vivenciados pela cara de pau que vos fala.
E vamos de cota: prá universidade, prá o serviço público, prá o Itamaraty e a próxima meta, que é o Supremo. Eu, filha de português com mulata, fruto de mãe gaúcha com negro baiano, vou já ver os meus direitos...

0 comentários:

Postar um comentário

Quem sou eu

Minha foto
Amo História, a que me dediquei até concluir o Doutorado. Sou professora da Escola Técnica Estadual República, mas, atualmente, encontro-me fora de sala de aula, trabalhando no Centro de Memória da escola. Sou casada, tenho dois filhos e 6 netos. Vou completar 57 anos, no mês de novembro, e moro na cidade do Rio de Janeiro.

Seguidores

Visitantes

Tecnologia do Blogger.

Marcadores

Arquivo do Blog

Flickr

Created with flickr badge.

Palpitando

Palpitando

Titulo Aqui

Resenha aqui